Eu palestro sobre emoções e o adoecimento decorrente de emoções negativas e silenciosas que impactam nossa vida, nossa personalidade e nosso comportamento.

Na minha experiência clínica auxílio pacientes com nossa técnica de Mobilização do Qi (Energia) Mental, e confesso que hoje foi minha vez de ter medo. Medo de assinar um blog que ainda nem é conhecido, nem tem tanta repercussão, mas senti medo. E daqueles medonhos, mesmo!

Venho de uma família de médicos ilustres e notórios. Talvez, você nunca tenha ouvido falar deles, apesar de meu pai já ter dado uma série de entrevistas sobre acupuntura. Quem os conhece, sabe que são pessoas notáveis!

A questão é: nunca é fácil vir depois de alguém notável.

Já reparou que a sensação que sentimos é a de que por mais que façamos, não é o suficiente? Estabelecemos padrões e metas que são até alcançados, mas que imediatamente são substituídos por outras metas ainda mais inatingíveis. Por que temos uma referência tão rígida, internalizada? Me fiz essa pergunta.

“Ah…deve ser ‘culpa’ da mãe”, eu diria, carinhosamente, nas minhas aulas! E, carinhosamente, também explico que o período de vida intrauterina é primordial para nossa formação emocional e nossa psique. É claro que no decorrer da vida enfrentamos diversos desafios e temos aprendizados que modelam nossa vida afetiva, mas o primordial está na vida intrauterina.

A exigência

Pensei… Por que não me contentar com o que tenho? Por que buscar algo, incessantemente para me desafiar e depois sofrer com o desafio? Afinal, querer ser tudo – médica, pediatra, acupunturista, professora universitária, fazer doutorado, gerenciar consultórios, cursos, dar aulas, viajar para palestrar e gerir uma casa, não é suficiente? Isso sem mencionar meus papéis mais importantes como o de ser mulher e mãe.

Escrevendo assim, fica claro o desejo de notoriedade de toda e qualquer mulher. Me atrevo a afirmar que somos TODAS notáveis.

A insatisfação

E por que ainda vem aquele pensamento (como se fosse uma ‘coceira’) que diz: “Não é o suficiente. Você pode melhorar em tudo isso e fazer mais”.

Então, me peguei insatisfeita com tudo o que tenho e já conquistei, e ainda me cobrando por dever ser grata e não reclamar por engolir as blasfêmias que escuto que me causam má digestão e refluxo.

A culpa

Me culpei porque, afinal, quero valorizar o que tenho, mas não consigo me livrar desse sentimento de insatisfação, de que não cumpro o que preciso e não devo reclamar. Esse movimento mental me fez congelar e há dias não consigo sair do lugar. Estou com dor na lombar e no ciático. Uma dor que me impede de caminhar livremente.

A raiva

Essa veio por me sentir tolida, sem poder expressar e viver todo o meu potencial, o que aliás me levou a questionar: ‘Qual era mesmo esse potencial?’ E com raiva, estou faminta por doces e carboidratos…

O choro

Aí, finalmente, chorei.

Chorei quando cheguei em casa tarde da noite, insatisfeita, culpada, enraivecida e meu filho já estava dormindo. Não deu tempo de falar com ele e dar-lhe um beijo…

No meio dessa confusão e com tanta somatização, me questionei a origem de tudo isso. Sabe a resposta? Eu. Sim, eu mesma, ninguém mais!

Coloquei metas e padrões tão altos que mesmo sabendo que posso cumprir, não quero ser escrava deles, e por isso estava sofrendo. Não percebi que o dia tem 24 horas, mas não produzimos durante as 24 horas. Me dei conta de que posso fazer muitas coisas, mas nunca farei TODAS elas de uma só vez.

Entendi que posso impactar a vida das pessoas de forma positiva, enquanto posso estar impactando negativamente a minha, se não estiver atenta. Então, qual vai ser? Refluxo + lombalgia + dor no ciático? Ou…

O que coloco no lugar, mesmo?

O encontro 

Dando risada na calada da noite, me achei.

Encontrei meu EU espontâneo, leve, solto, livre, doce, alegre, divertido e descontraído que ri sozinho, chora a cada conquista, se emociona e continua vivo.

Afinal de contas, conclui: Só tenho o Eu mesmo, não é verdade?!

 

 

2 COMENTÁRIOS

  1. Tão eu, como pode? Dias sim, outros não; às vezes Sol, à vezes Lua! Há dias mais complicados, como “casamento de viúva”, sol e chuva ao mesmo tempo! Quando na ânsia de dar conta de todos os papéis que me imponho, percebo que não dou conta e aí então resolvo varrer tudo prá debaixo da cama. Nestas noites tenho insônia. Melhor mesmo é expor a poeira na porta de entrada da casa, arejar todos os cômodos e admitir que é preciso um tempo diário para a faxina, a organização interna, porque sujeira e insatisfação faz parte da gente.

    • Te agradeço pelo comentário Ana Lucia e por compartilhar tuas linhas comigo.
      O interessante é saber que damos conta sim, de tudo, com leveza desde que prestemos atenção à nós mesmos.
      Até o próximo post, te aguardo!

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here