Mayra Cardi viveu uma situação dramática com a filha, Sophia, fruto do casamento com o ator Arthur Aguiar. Apesar da bebezinha ter recebido atendimento rápido e estar muito bem de saúde, a experiência de Mayra é muito comum e perigosa para bebês, sendo que todo pai e toda mãe podem aprender alguma lição valiosa com o exemplo.

Por conta de um problema respiratório decorrente das baixas temperaturas do outono, Sophia estava com o peito carregado. O susto veio quando a menininha engasgou com o próprio catarro e começou a sufocar. Apesar de um primeiro momento de pânico, a famosa termina seu relato com bons conselhos sobre como agir nessas situações. Confira:

Bebê com catarro na garganta
A ex-BBB explicou toda a situação com vídeos nos Stories do Instagram. Sophia estava doentinha por causa das mudanças climáticas bruscas do outono e acabou engasgando com a própria tosse. Mayra conseguiu observar alguns sinais de engasgo, que ajudaram a perceber imediatamente o que estava acontecendo.

“Sophia se engasgou com a própria tosse, quando fica com o peito muito cheio, e não conseguia respirar, ficou roxa, sem respirar. Me deu um desespero na hora. Não adianta nada os cursos que a gente faz, porque a gente esquece. Eu dei uma respirada e pensei: ‘Tenho que voltar a mim e pensar no que eu tenho que fazer’. Aí, fiz bonitinho, tudo certinho. Fiz batidinha nas costas dela e ela começou a vomitar muito catarro grosso”, revela.

Quando percebeu que a filha estava “desentalando”, a life coach ainda decidiu chamar um motorista por aplicativo para levar a pequena ao hospital. Mayra revela que não estava sozinha em casa e teve ajuda para sair rapidamente e prestar todo o socorro necessário à filha.

“Queria deixar minha compaixão a todas as mães. Como a gente fica ‘burra’ nesses segundos, né? Óbvio que eu imagino que para algumas pessoas deve ser mais difícil que para outras, mas a verdade é que para todas as mães é difícil. Eu sei que não adianta falar tão racionalmente, mas nessas horas a melhor coisa que a gente faz, de fato, é respirar e, literalmente, agir com frieza para que a gente possa raciocinar, porque o desespero faz com que a gente não saia do lugar”, desabafa.

Muitos pais entendem o susto que a esposa do ator teve ao ver o bebê engasgando com o catarro, entretanto, nem todos os pais possuem um curso de pequenos socorros, que foi citado pela ex-BBB. Mas será que é tão comum o bebê engasgar? E como os pais devem agir nesses casos? Entenda:

Por que bebê engasga muito?
De acordo com a médica pediatra e infectologista Márcia Yamamura, os pequenos podem engasgar por diversos motivos, entre os mais comuns estão o engasgo do bebê com o leite durante as mamadas e o engasgo por secreções, como o catarro. Tratam-se de duas situações muito comuns na rotina das crianças e que merecem atenção redobrada dos pais.

Para evitar que esses sustos desagradáveis aconteçam a médica dá algumas dicas. “É necessário redobrar a atenção para as situações como: amamentar de forma errada, com o bebê muito deitado ou recostado, posições essas que facilitam voltar o conteúdo. Também deve-se evitar o ato de deitar o bebê após a mamada, sem deixá-lo arrotar”, explica.

Já em relação ao engasgo com secreções, a profissional lembra que não é apenas o catarro que pode causar engasgo nos bebês. “É importante os pais saberem que a própria saliva do bebê pode deixá-lo engasgado. Isso pode ser um indício de que ele tenha dificuldade para engolir ou uma incoordenação para engolir, significando um possível quadro neurológico. Além disso, secreções produzidas no pulmão ou nas vias aéreas superiores em casos de bronquiolites, bronquites e até mesmo em resfriados comuns, podem causar desconforto nas mamadas, o que propicia o engasgo e até a possibilidade de o bebê asfixiar-se”, alerta a médica.

Em quadros mais incômodos de doenças com secreção, Márcia esclarece o porquê de o catarro ser tão perigoso para os bebês e como evitar que eles se engasguem com o próprio muco.

“O catarro abundante ou por estar mais pegajoso, difícil de eliminar, também pode causar esse engasgo, por isso, é importante limpar as cavidades nasais, além de tomar outras medidas para que o catarro diminua antes da mamada. Consulte sempre o pediatra e deixe que o mesmo avalie a condição do bebê e diga o melhor a fazer”, aconselha.

Sinais de engasgo em bebê
Passar por uma situação semelhante é realmente assustador para qualquer pai e, procurando evitar que a situação chegue a esse ponto, a médica ensina quais sinais que o bebê dá ao engasgar.

“Existem alguns sinais de engasgamento e alguns não são tão evidentes, então deve-se estar atento a tudo. Um deles é se o bebê ficar ‘roxinho’, com lábios azulados ou roxos, pálido ou até com o rostinho vermelho. Outro sinal de alerta é se o bebê fica com a respiração mais ofegante, muitas vezes chorando ou asfixiado, não tendo movimentos respiratórios”, conta.

A médica indica ainda quais são os sinais mais graves e que merecem maior atenção e cuidado dos adultos. “Outro indício é quando o bebê faz muito esforço para respirar, ou emite sons ‘estranhos’ enquanto respira, tosse, espirra ou tem ânsia de vômito durante a mamada, na tentativa de expulsar o que o fez engasgar. De todos, o mais grave é tentar tossir ou chorar e não sair nenhum som”, explica.

Como desengasgar bebê com catarro?
Apesar de ser uma situação bastante delicada, Márcia acredita que os conselhos de Mayra Cardi realmente fazem sentido e o melhor é manter a calma e saber o que fazer, pois tal conhecimento evita a progressão e, consequentemente, a piora do quadro, principalmente na primeira hora após o incidente.

“Há uma premissa nos primeiros socorros chamada ‘hora de ouro’, o tempo de atendimento pré-hospitalar e minutos significam toda a diferença para evitar desfechos mais graves, incluindo a morte. Então, ter o conhecimento de como prestar socorro é fundamental”, conta.

A pediatra explica passo a passo o que fazer com a criança caso ocorra uma situação de engasgo. Caso essa manobra não seja o suficiente, existem ainda outros recursos que podem ser usados como alternativa.

“O primeiro passo é deitar a criança de bruços sobre o braço do adulto (imagem abaixo), com a cabeça sempre mais baixa que o tronco dela, já que essa posição irá facilitar a saída do leite ou catarro. Após abrir a boca para ver se há algum objeto obstruindo as vias aéreas, o responsável deve dar cinco palmadas com a base da mão nas costas do bebê. Os movimentos devem ser feitos de forma a não machucar, mas devem ser firmes e vigorosos para que o que está obstruindo as vias aéreas possa sair”, orienta.

“Se ainda assim não for suficiente, deve-se virar a criança de frente, ainda sobre o braço, e efetuar compressões com os dedos médio e anular sobre o tórax da criança, na região entre os mamilos. Se o bebê perder a consciência, ligar imediatamente para a Emergência 192 ou 193 e pedir orientação especializada, além de solicitar equipe de primeiros socorros no local. Policiais e bombeiros estão preparados para orientar por telefone”, lembra a médica.

Bebê sufocando: o que não fazer?
No momento em que a criança começa a apresentar sinais de que está engasgando, é comum que os adultos presentes fiquem nervosos e a emoção nessa hora pode atrapalhar a ação que se faz necessária no momento.

Caso você não saiba o que fazer, o melhor é seguir a recomendação de ligar para os serviços de emergência, esperar por socorro e, caso necessário, seguir orientações dadas pelo profissional do atendimento. Entretanto, Márcia indica o que não fazer com o bebê sufocando em hipótese alguma.

“É muito comum no engasgo que se tente tirar o objeto da garganta e isso não é recomendado, pois pode-se empurrar mais para dentro o objeto, levando à asfixia”, orienta.

Além desse comportamento quase que automático, muitos pais acabam achando que é melhor tentar fazer com que a secreção “entre” para o organismo da criança de alguma maneira e assim libere as vias respiratórias, mas essa não é a conduta indicada. “Outra reação comum é oferecer líquidos no engasgo. Isso não é recomendado, pois o engasgo e a tosse podem levar o líquido aos pulmões”, alerta.

Primeiros socorros para os pais
Em seu desabafo, Mayra cita que foi de extrema importância para ela lembrar dos cursos de primeiros socorros que fez durante a vida. É importante lembrar que muitas maternidades oferecem cursos para gestante que têm como objetivo orientar o casal para esse novo momento.

Muitos desses cursos oferecem também curso de primeiros socorros para pais, que, de acordo com a visão da médica, fazem toda a diferença para quem irá lidar com a responsabilidade de cuidar de uma nova vida.

A médica também defende que o curso de primeiros socorros deveria ser oferecido a toda a população, pois é importante lembrar que situações de emergência podem acontecer em ambientes diversos e na presença de qualquer um.

“Conhecer tais procedimentos é muito importante para os pais e pode salvar a vida do bebê. Mas não ache que apenas pai e mãe devem saber primeiros socorros. Qualquer um deveria ter esse treinamento, afinal de contas, situações como asfixia não acontecem apenas dentro de casa”, comenta.

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