terremoto no México

Há momentos em nossa vida que passamos por apuros. Na verdade, quase morremos.

Tive a experiência de quase morrer no terremoto do México, na madrugada da sexta-feira, 8 de setembro. Confesso que com todo o conhecimento que tenho acerca de traumas, memória e emoções, cá estou, com estresse pós traumático, sem poder dormir e tentando voltar à rotina. Ledo engano, tentativa frustrada…

O perigo real nem sempre condiz com o perigo imaginário de como a mente entendeu o fato. Um amigo meu, psiquiatra, Dr. Gilberto, me ajudou, revivendo em câmera lenta, cada passo do terremoto. A cada frame, uma sensação nova, uma reação corporal de fuga, de alerta, de sair correndo, de estar preparada para reagir e fugir – e tudo isso junto com a tentativa da mente em racionalizar o evento.

Percebi que quando saí do quarto do hotel (descendo as escadas e auxiliando as pessoas que estavam em choque), logo que vi a saída, minha mente relaxou.

Ao relaxar, minha mente também se deu conta que poderia ser grave e veio o pensamento “não quero morrer”. Nesse exato momento, como se houvesse uma fratura no tempo e no espaço, minha mente subconsciente (emocional, irracional) entrou em modo de alerta contínuo.

Nem preciso dizer sobre a grande solidariedade que meus alunos mexicanos tiveram comigo. Se mobilizaram para me resgatar da rua e fui muito bem acolhida pelo casal Cesar e Jocelyn.

Dr. Cesar fez sessões de acupuntura em mim como pronto atendimento após o trauma, e tudo que era sensação, física e energética, foi resolvida. Restaram emoções que eu teria que lidar.

A acupuntura é eficaz no estresse pós traumático e, quanto mais cedo a fazemos, melhor o resultado. Cesar, meu amigo e meu irmão mexicano, foi extremamente hábil em tratar-me. Jocelyn, com seus óleos essenciais, garantiu parte da minha sanidade mental para que eu pudesse voltar ao meu país.

Dez dias depois, tento retomar minha rotina, o controle da minha vida e de minhas emoções. Alterno choro e sensação de impotência. Não durmo. E quando consigo dormir, é pela exaustão. Acordo de sobressalto, assustada.

Em todo esse processo, o que posso garantir, é que não quero e nem vou morrer, pelo menos, não por agora. Tive a necessidade de expressar o que sinto e comecei a falar com pessoas que não tenho contato há anos. Minha fala tem sido:

Tudo bem? Estava no terremoto do México. Quase morri. Senti vontade de dizer que você é muito importante para mim até hoje, e queria te agradecer por isso…

O amor é sempre curativo. Acalma dores do corpo e da alma. Eu me solidarizo com cada coração que estava lá, com cada alma que encontrei nessa jornada e tenho feito o exercício da gratidão por estar aqui.

 

 

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